Atualizado 21/03/2018

Foo Fighters entrega show sob medida e empolga fãs em Porto Alegre

Banda encerrou turnê brasileira tocando para 30 mil pessoas no Beira-Rio.

Foto: Guilherme Testa
Foto: Guilherme Testa

É fácil entender porque uma banda como o Foo Fighters agrada tanto ao seu público e cativa seus fãs - só neste domingo à noite no Beira-Rio, na última apresentação no Brasil da turnê "Concrete and Gold", eram cerca de 30 mil, de acordo com a organização. O show do grupo norte-americano é aquele móvel sob encomenda, aquela telentrega gostosa que você pediu sabendo exatamente o que vai vir. E nesse quesito, Dave Grohl e companhia não decepcionam. Uma apresentação do Foo Fighters é exatamente o que você espera dela.

 

Não por acaso, logo no início do show, Grohl se dirige ao público perguntando: "Vocês sabem por que viemos aqui? Por que estamos aqui nesta noite? Viemos para tocar rock and roll. Vocês gostam de rock and roll, motherfuckers?". Nem precisava ter avisado. Desde a entrada dos integrantes, fica claro qual a meta para as próximas duas horas e meia. Não há um telão com contagem regressiva, não há pirotecnias para criar suspense enquanto a banda não pisa no palco. Ao invés disso, Grohl simplesmente surge com sua Gibson azul correndo e berrando como um louco. É a senha para que todos ali possam enlouquecer junto sem culpa. E tome "Run". E "All my Life". E "Learn to Fly". E "The Pretender". Não é preciso pirotecnia quando a música basta.

 

Os fãs mais ardorosos acreditam que o Foo Fighters é a melhor banda de rock do mundo. Não é para tanto. O Foo Fighters não é sequer a melhor banda de Dave Grohl, afinal ele já foi baterista de uma outra banda um tanto quanto conhecida nos anos 90, com um certo frontman chamado Kurt Cobain. Só que o Foo Fighters se esforça como poucos para fazer de cada show a noite mais especial para quem comprou o (caro) ingresso. E aí vale se dizer emocionado com as luzes dos celulares. Vale elogiar a plateia dizendo que é uma das melhores para quem já tocaram. É grande a chance de que o discurso seja repetido a cada novo show. Mas quem se importa, mentiras sinceras também interessam. Ainda mais quando ditas entre uma "Learn to Fly", uma "Best of You" e uma "Everlong".

 

É curioso notar como a banda tem uma sonoridade pesada, mas uma postura que quase flerta com o pop em certos sentidos. Não há nenhum traço de transgressão no Foo Fighters. Não é o tipo de banda que você imagine tomando todas e jogando camas e televisões pela janela do hotel. Muito pelo contrário. Davo Grohl faz muito mais o perfil gente boa, aquele cara de quem você gostaria de ser amigo. Aquele que quando comete o crime de cantar "Jump", do Van Halen, utilizando como base "Imagine", de John Lennon, você só acha engraçado, e não uma heresia. Porque, àquela altura do campeonato, seja por causa do seu total domínio do palco e a qualidade musical da banda, ele já fisgou você de tal forma que qualquer coisa que fizerem ali, você vai achar o máximo. E tanto faz se na semana seguinte você já tiver esquecido. Pelo menos naquelas duas horas o Foo Fighters fez da sua noite algo especial. Exatamente como eles haviam prometido.

 

P.s.: Ah sim, houve ainda a abertura do Queens of the Stone Age. Mas se no anúncio do evento, muito se especulou que o primeiro show talvez fosse até melhor do que o primeiro, na hora se viu que não. Ainda que o QOTSA seja mais do que competente ao vivo, não parece ter empolgado o público no Beira-Rio. E para isso, nada melhor do que o termômetro das (poucas) luzes de celulares filmando a apresentação.

 

Setlist Foo Fighters:

"Run"

"All My Life"

"Learn to Fly"

"The Pretender"

"Sky"

"Rope"

"Sunday Rain"

"My Hero"

"These Days"

"Walk"

"Breakout"

"Under my wheels"

"Under pressure"

"Monkey Wrench"

"Times Like These"

"Generator"

"Big Me"

"This is a Call"

"Best of You"

"Dirty water"

"Let there be rock"

"Everlong"

Fonte: CP
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